AMOR E NEPOTISMO: Senador morre de amor, contribuinte morre na grana


ntre os dias 25 de abril e 5 de maio, o senador Marcos do Val (Cidadania-ES) esteve nos Estados Unidos bancado pelo Senado. Segundo a Casa, o parlamentar viajou em missão oficial para o país, visitando o estado do Texas e a capital, Washington (DC), enquanto vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores.

Com ele, viajaram um assessor parlamentar, Fernando Pereira Carvalho, e a namorada de do Val, a hoje consultora legislativa do Senado Brunella Poltronier Miguez – que, até a véspera da viagem, era contratada como assessora no gabinete do próprio senador, e foi exonerada exatamente no dia anterior ao embarque.

Durante os dez dias nos quais do Val esteve no país norte-americano, recebeu em diárias exatos R$ 16.806,40. Valor pouco menor (R$ 16.523,60) foi depositado na conta do assessor. Entre diárias (que cobriram hotéis, alimentação e transporte no país) e passagens dele e do servidor que o acompanhou para assessorá-lo, a viagem custou, no total, R$ 49.756,36 mil.


Embora a ida de Brunella não tenha onerado diretamente o Senado, com diárias e passagens especificamente pagas para a ida dela, os cofres públicos acabaram indiretamente custeando ao menos parte da trip norte-americana da advogada, via diárias de hospedagem e alimentação do senador.

Marcos do Val levou namorada que empregou no Senado em viagem de R$ 50 mil aos EUA
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Senador compartilhou momentos da viagem aos EUA nas redes sociaisReprodução/Facebok

Brunella foi exonerada por ele do cargo que ocupava em seu gabinete apenas um dia antes de embarcar para os Estados Unidos. O voo da advogada não foi bancado com dinheiro público, mas o gasto do casal em hotéis nos Estados Unidos foi integralmente pago pelo Senado, bem como os custos com alimentação.

“Os senadores em missão oficial fazem jus também à percepção de diárias, de caráter indenizatório, para despesas extraordinárias com pousada, alimentação e locomoção urbana na localidade de destino, nos termos do Ato da Comissão nº 5, de 2006”, informou o Senado, em nota. Além do valor das diárias recebidas por Do Val e seu assessor, a Casa bancou ainda a passagem dos dois, em classe econômica, no valor de R$ 8.213,18 cada.

Limbo legal


O senador aproveitou uma espécie de vácuo na regulamentação interna. Se Brunella fosse uma familiar assim legalmente definida – cônjuge, mãe, filha ou outra parentesco direto -, para que pudesse usufruir da verba pública durante a viagem acompanhando um senador, a ida teria que receber autorização do plenário da Casa.

Namorada, porém, não se enquadra no caso. Tivesse continuado empregada como assessora, teria que ser autorizada por um ato administrativo do presidente do Senado – a exemplo do que ocorreu com Fernando Pereira Carvalho. Ela também não se enquadrava mais nisso por ter sido exonerada um dia antes do embarque. Com essa espécie de limbo legal, não havia nada especificamente autorizando ou proibindo a ida de Brunella. E ela foi, como parte de um casal.

Nas redes sociais, o parlamentar mostrou detalhes da viagem e apareceu em fotos ao lado da namorada. Ela o acompanhou em agendas oficiais com autoridades da área de segurança e da tecnologia norte-americanas. Ao lado do senador e do assessor Fernando Pereira, Brunella visitou ainda o embaixador brasileiro no país, esteve no Congresso dos Estados Unidos e em almoços com governadores.

Uma semana depois que os dois voltaram dos dez dias nos Estados Unidos, Brunella foi nomeada novamente para um cargo comissionado no Senado, dessa vez, na diretoria-geral da Casa. Ela segue trabalhando no local, com um salário de quase R$ 11 mil.

Procurada pela reportagem para comentar a viagem e a presença da namorada nas agendas oficiais, a assessoria de imprensa do senador não respondeu aos questionamentos.

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