FUNDO DO POÇO: Todos contra a privatização da Caerd agora se dizem preocupados com a bancarrota da empresa


Porto Velho, RO  - A Caerd possui 623 servidores de carreira, destes, cerca de 270 são aposentados, a maior parte com 35 ou até 40 anos de serviços prestados. "Desse total, 171 já manifestaram o interesse em se desligar da empresa, mas querem a garantia de que irão receber seus direitos trabalhistas, o que a empresa, infelizmente, nesse momento não pode garantir".

Para Irineu, entretanto, seria fundamental para a recuperação da empresa, que esse pessoal tivesse seu direito assegurado e fosse retirado da folha de pagamento. "Esses servidores já deram a sua contribuição e não conseguem mais, por sua idade, contribuir com a sua força de trabalho. Por outro lado, sem as garantias, eles não podem sair da empresa", observou ele, que informou ainda que já conseguiu desligar 33 empregados.

Ele sugeriu que o Governo crie um Plano de Demissão Voluntária (PDV), assegurando os recursos para o pagamento dos direitos trabalhistas. Outra saída, seria o Executivo viabilizar um empréstimo para a quitação dessas questões trabalhistas.

A Caerd enfrenta uma inadimplência superior a 40% e fatura entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões ao mês. "Já colocamos a folha de pagamento em dia - quando assumi eram quatro meses e meio em atraso - também pagamos fornecedores e terceirizados. Desde janeiro desse ano, iniciamos o pagamento dos nossos compromissos de encargos", completou.

Dívida bilionária 

Mas, as dívidas da Caerd são o fator que mais chama a atenção de todos. Somente com a Fazenda Pública da União, em débitos e encargos, a empresa deve cerca de R$ 1 bilhão. Para a concessionária de energia, o débito seria em torno de R$ 600 milhões, embora a Caerd conteste e alegue dever cerca de R$ 300 mil apenas.

"A Caerd está falida. É triste, mas é a dura realidade. A empresa não tem capacidade alguma de investimento e muito menos de quitar as dívidas bilionárias", observou Jair Montes.

Cirone Deiró lamentou a situação em que a Caerd se encontra, implicando numa dificuldade em oferecer serviços de expansão de redes de água e esgoto, entre outras dificuldades.

"Em Cacoal, funciona o SAAE e a cidade possui 84% de saneamento básico. Cacoal vai receber mais R$ 47 milhões em investimentos na nova estrutura de distribuição de água por gravidade, e não mais por pressão. Já o distrito de Riozinho vai receber R$ 11 milhões em investimentos no setor", destacou.

Apesar das inúmeras dificuldades, os deputados se colocaram à disposição para contribuir com a companhia, buscando apoiar ações que possam estimular a retomada da sua capacidade de investimento
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