Aos 100 anos, idoso é exemplo de superação e memória impecável


Manaus, AM  - Aos 100 anos, completados na última sexta-feira, o paraibano Agripino Pereira da Silva é conhecido pela aparência jovial, lucidez, saúde de ferro e uma memória impecável, capaz de lembrar histórias emocionantes dos períodos de pobreza que viveu na capital paulista, de como educou filhos, netos e bisnetos. O centenário de Agripino é marcado por uma história de superação e de intensa migração, como de muitos outros nordestinos que hoje vivem por aqui.

Na busca por uma vida melhor, aos 21 anos, ele deixou o seu estado natal e se mudou para São Paulo. Na capital paulista, trabalhou como agricultor e voltou para a Paraíba, onde casou, aos 33 anos de idade, com a Maria Aranha da Silva, sua única esposa, que faleceu ano passado, aos 82 anos. “Minha vida foi uma vida de trabalho, nunca gostei de ficar parado. Só parei quando cheguei em Manaus, há 20 anos; eles (filhos) não deixaram mais eu trabalhar”, comentou sorrindo.

O aposentado passou por diversos estados brasileiros sempre em busca de melhoria de vida para a família. Na bagagem, o agricultor aposentado coleciona histórias emocionantes pelos estados de São Paulo, Paraná, Pará e Amazonas. “Não foi uma vida fácil, nós éramos muito pobres, eu precisava trabalhar muito para ter a comida da mesa”, lembrou, emocionado.

Os anos de trabalho em diversas áreas, mas, principalmente na agricultura, podem ser o segredo da juventude de Agripino. Aos 100 anos de idade, o aposentado é conhecido no bairro Mutirão, onde mora com parte da família, pela aparência mais jovem, de um homem de no máximo 70 anos, pela memória viva, pelas histórias e pelo bom humor.



Questionado sobre qual o segredo da saúde e lucidez, que deixa muitos jovens surpresos, o aposentado se emocionou ao lembrar da esposa, que faleceu aos 82 anos, no ano passado. “Nunca fui de fazer loucuras, nunca peguei doença sexual, nunca me relacionei com outras mulheres, só com a minha mulher. Eu sou homem de uma única mulher, esse é o meu segredo. Deus me honrou”, disse.

Atualmente, o aposentado dedica a vida aos netos e aos filhos, além de ser rigoroso com sua rotina religiosa. “Sou um homem religioso desde muito novo. Faço parte do Terço dos homens e faço questão de passar isso para a minha família”, destacou o idoso.

E disposição, Agripino tem de sobra. Aos 100 anos, ele começou a praticar exercícios físicos na igreja que congrega, no Mutirão, e ainda pedala. O idoso é conhecido pela proeza de pedalar de costas ou sem as mãos no guidão da bicicleta. “Eu quero mostrar para eles (reportagem) como sei andar de costas e sem as mãos”, disse o aposentado aos filhos. “O vovô é vida louca”, comentou um dos netos, que convenceram-no a não exibir a proeza, pois o pneu não estava muito cheio na ocasião. “Mas só por isso”, disse o centenário.

Referência aos filhos

“Nossa infância não foi fácil, às vezes não tinha comida. Mas passamos por tudo unidos, nossa família sempre se amou muito”, disse Davina Pereira da Silva, de 52 anos, ao lado do pai. Davina contou que o pai sempre foi exemplo para ela e para os irmãos e que essa referência como chefe de família também exerce influência na formação do caráter dos netos e bisnetos. “A educação e o exemplo são a base de uma família feliz”, disse.

Há alguns anos, os filhos fizeram um esforço para Agripino parar de trabalhar e levar uma vida mais tranquila. “Papai já estava de idade, mas queria continuar trabalhando. Demos um basta, ele já trabalhou demais por todos nós. Está mais do que na hora dele aproveitar a vida em casa, vendo os netos e bisnetos crescerem. Nossa pai é nosso maior tesouro”, disse ela.

Família reunida para festa

Agripino casou aos 33 anos com Maria Aranha da Silva, na época com 16 anos. O casal teve oito filhos biológicos e adotou mais um. Hoje, Agripino fala com orgulho que tem 40 netos, 42 bisnetos e um tataraneto. “Eu estou esperando de quem vai ser o próximo, se vai ser neto ou bisneto”, disse sorrindo. A família grande é unida e carinhosa.

Na quarta-feira, A CRÍTICA esteve na casa do aposentado para acompanhar a chegada de filhos, netos e bisnetos para a festa de aniversário dele, que foi realizada ontem. “Tem mais gente chegando. Tem meu irmão que mora em São Paulo que está vindo também. Família boa é família reunida”.

Todos os filhos de Agripino seguiram o mesmo amor do pai pela agricultura e trabalham cultivando abacaxi, banana e outras frutas regionais. “Nossa vida foi sempre na agricultura, na terra, cultivando o que comemos”, disse.

Álik Menezes

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